Principais Aprendizados
- Entenda como a falta de criptografia nativa torna a Modulação de Amplitude (AM) vulnerável à interceptação.
- Descubra como o hardware SDR (Rádio Definido por Software) democratizou a análise de espectro.
- Aprenda as diferenças críticas entre interferência eletromagnética acidental e ataques de jamming intencionais.
Bem-vindo ao definitivo Guia de Hacking de Redes de Comunicação por Rádio AM. Embora muitos considerem o rádio AM uma tecnologia obsoleta, ele continua sendo a espinha dorsal de sistemas críticos, desde transmissões de emergência até comunicações aeronáuticas e marítimas de longa distância. A simplicidade que permitiu sua adoção global é, ironicamente, sua maior falha de segurança no cenário moderno de ameaças cibernéticas.
Neste artigo, exploraremos a teoria por trás das ondas médias e curtas, as ferramentas necessárias para auditoria de segurança e como proteger infraestruturas legadas contra a interceptação de sinais analógicos.
Fundamentos da Modulação de Amplitude e Vulnerabilidades
A Modulação de Amplitude (AM) funciona variando a força do sinal transmitido em relação à informação enviada. Diferente de protocolos digitais modernos, o AM transmite o áudio ou dados de forma analógica e, nativamente, sem criptografia. Isso significa que qualquer receptor sintonizado na frequência correta pode ouvir a comunicação.

Para profissionais de segurança, entender isso é crucial. Ao realizar testes de intrusão, muitas vezes ignoramos o espectro de radiofrequência, focando apenas em redes IP. No entanto, entender o cenário macro é vital. Para uma base sólida sobre o espectro geral, recomendo a leitura do nosso Guia de Hacking de Redes de Rádio, que cobre os princípios que se aplicam aqui.
Equipamentos: A Revolução do SDR
Antigamente, a interceptação e análise exigiam hardware caro e dedicado. Hoje, o uso de SDR (Rádio Definido por Software), como o RTL-SDR ou HackRF, permite que qualquer pesquisador visualize a segurança de espectro de radiofrequência em um laptop comum. Com um SDR, é possível capturar, demodular e até retransmitir sinais (com o hardware adequado e licença).
Essa acessibilidade também aumenta o risco. Sistemas que dependem de "segurança por obscuridade" (esperar que ninguém encontre a frequência) não são mais viáveis. Isso é similar ao que discutimos sobre a fragilidade física em nosso Guia de Hacking de Redes de Comunicação por Cabos, onde o acesso físico equivale à quebra de segurança.
Vetores de Ataque em Redes AM
Existem três vetores principais ao auditar redes AM:
- Eavesdropping (Escuta): A captura passiva de informações. Em sistemas de transporte, isso pode revelar posições de veículos ou horários. Veja mais sobre riscos operacionais em Explorando Vulnerabilidades em Sistemas de Transportes Públicos.
- Jamming (Interferência): A introdução de ruído para negar o serviço. A interferência eletromagnética pode ser gerada com facilidade, bloqueando comunicações de emergência.
- Injection (Injeção de Sinal): Transmitir ordens falsas na rede.

É importante notar que, enquanto o AM lida com ondas longas, as vulnerabilidades de injeção de sinal compartilham conceitos com frequências mais altas. Se você tem interesse em como sinais direcionais são explorados, confira o Guia de Hacking de Redes de Comunicação por Micro-ondas.
Análise de Dados e Telemetria via AM
Nem todo AM é voz. Muitos sistemas legados usam AM para enviar dados de telemetria simples de sensores remotos. Esses dados, se não autenticados, podem ser falsificados, levando sistemas de monitoramento a tomarem decisões erradas. A lógica é parecida com a exploração de IoT descrita no Guia de Hacking de Redes de Sensores.
Além disso, a convergência de tecnologias significa que dados capturados via rádio podem ser usados para ataques de engenharia social mais complexos. Um atacante pode ouvir uma comunicação de rádio para obter jargões e nomes, facilitando um ataque posterior. Para entender como essa informação é armada, leia sobre Como Usar Social Engineering para Obter Informações.
Mitigação e Defesa
Proteger redes AM é desafiador pois a tecnologia base não suporta criptografia. A solução geralmente envolve:
- Migração Digital: Mover para padrões como DRM (Digital Radio Mondiale).
- Sobreposição de Dados: Encriptar os dados *antes* da modulação (scrambling de voz).
- Monitoramento de Espectro: Vigiar frequências para detectar transmissores não autorizados.
A segurança deve ser holística. Proteger o sinal de rádio é inútil se o servidor que processa esses dados estiver vulnerável. Por exemplo, vulnerabilidades em servidores de backend são frequentemente exploradas; veja como isso ocorre em Explorando Vulnerabilidades em Sistemas de Energia, onde a comunicação de rádio e a rede IP se encontram.

Perguntas Frequentes
1. É ilegal ouvir frequências de rádio AM de serviços privados?
No Brasil e em muitos países, a escuta passiva de frequências não criptografadas geralmente não é crime, mas divulgar ou utilizar essas informações para benefício próprio ou para cometer crimes é ilegal. Transmitir (Jamming ou Injeção) sem licença é crime federal grave.
2. Qual o melhor equipamento para começar a estudar sinais AM?
O RTL-SDR V3 é o melhor custo-benefício para iniciantes. Ele permite ouvir e visualizar o espectro de rádio no computador. Para transmissão (em laboratório isolado/Gaiola de Faraday), o HackRF One é o padrão da indústria.
3. Como posso proteger uma comunicação via Rádio AM existente?
Como o protocolo AM padrão não suporta criptografia, a proteção envolve o uso de codificadores de voz (scramblers) nas pontas (transmissor e receptor) ou a migração para protocolos digitais que operam na mesma faixa de frequência.
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