Assinar documentos e arquivos PDF de graça pelo celular através do Gov.br é um serviço público oficial que permite validar contratos, procurações e requerimentos em menos de dois minutos, usando apenas o aplicativo Gov.br ou o navegador móvel no endereço assinador.iti.br. Para utilizar a ferramenta sem custos de cartório, o cidadão precisa apenas possuir uma conta nos níveis Prata ou Ouro, carregar o arquivo de até 100 MB, posicionar a rubrica na tela do smartphone e confirmar a operação com biometria ou código de segurança.
Principais Aprendizados
- Requisito obrigatório de segurança: Apenas contas Gov.br nos níveis Prata (validadas por bancos ou CNH) e Ouro (biometria da Justiça Eleitoral ou nova Carteira de Identidade Nacional) têm permissão para assinar; contas Bronze são bloqueadas.
- Versatilidade e assinatura em lote: O sistema aceita arquivos nas extensões PDF, DOC, DOCX, ODT, JPG e PNG (até 100 MB cada) e permite assinar até 5 documentos simultaneamente, convertendo o resultado final sempre para PDF.
- Validade exclusivamente digital: A assinatura utiliza criptografia no padrão PAdES embutida no arquivo eletrônico; imprimir o documento em papel ou usar a função "Imprimir como PDF" destrói o código de segurança e invalida a assinatura.
O Que É Necessário Para Usar a Assinatura Eletrônica do Gov.br
Desenvolvida pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) em parceria com o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI) e o Laboratório de Segurança em Computação da Universidade Federal de Santa Catarina (LabSEC/UFSC), a plataforma tornou-se o padrão de formalização digital para pessoas físicas no Brasil. Segundo dados oficiais do MGI divulgados pelo Correio Braziliense, o serviço ultrapassou a marca histórica de 548 milhões de assinaturas acumuladas em julho de 2026, registrando 143,5 milhões de utilizações apenas no primeiro semestre do ano — um volume 25 vezes superior ao do mesmo período de 2022.
A infraestrutura opera em alta escala: de acordo com levantamento do ITI publicado pelo portal Capital Digital, o sistema atingiu em 31 de março de 2026 o recorde de 1.280.548 assinaturas em um único dia, o que equivale a uma média de 889 documentos assinados por minuto.
Para que essa assinatura gratuita tenha presunção de autenticidade, o governo exige comprovação inequívoca da identidade do titular. Por esse motivo, quem cria o cadastro apenas com dados básicos do CPF ou do INSS entra no nível Bronze, que não possui acesso ao assinador digital. É indispensável elevar a conta gratuitamente pelo próprio aplicativo Gov.br para um dos dois níveis superiores:
- Conta Nível Prata: Obtida instantaneamente ao validar o cadastro via login de um dos bancos credenciados (como Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Itaú, Santander, Nubank, entre outros) ou por reconhecimento facial utilizando a câmera do celular para conferir a foto da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
- Conta Nível Ouro: O grau máximo de segurança, liberado ao fazer o reconhecimento facial no aplicativo cruzando dados com a biometria do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ao ler o QR Code da nova Carteira de Identidade Nacional (CIN) ou mediante validação com um Certificado Digital compatível com a ICP-Brasil.

Passo a Passo: Como Assinar PDF e Documentos no Celular
Uma dúvida frequente é se o arquivo precisa estar obrigatoriamente em PDF antes de começar. Conforme a documentação técnica do Portal Gov.br, o sistema aceita documentos nos formatos .PDF, .DOC, .DOCX, .ODT, .JPG e .PNG, desde que cada arquivo respeite o limite máximo de 100 MB. Caso você envie um texto do Word (.DOCX) ou a foto de um recibo (.JPG), o próprio assinador converte e entrega o documento final assinado em formato PDF.
Método 1: Pelo Aplicativo Oficial Gov.br (Android e iOS)
O uso do aplicativo nativo é o caminho mais rápido para assinar um único arquivo salvo na memória do telefone ou recebido por e-mail:
- Abra o aplicativo Gov.br no smartphone e autentique-se com seu CPF e senha (ou biometria).
- Na tela inicial, localize e toque na opção "Assinar documentos digitalmente".
- Toque em "Escolher arquivo" e selecione o documento desejado nas pastas do seu aparelho.
- Navegue pelas páginas do documento na tela e toque exatamente no local onde deseja posicionar o selo visual da sua assinatura.
- Toque em "Assinar". O sistema enviará uma autorização ou solicitará a biometria/PIN de segurança do aplicativo para confirmar a emissão do certificado.
- Concluído o processo, toque no ícone de compartilhamento ou download para salvar o novo arquivo PDF assinado no celular.
Na prática, caso o aplicativo apresente lentidão para abrir o seletor de arquivos ou trave na etapa de carregamento do PDF, a recomendação técnica é limpar o cache do celular nas configurações do sistema antes de repetir a operação, evitando falhas de memória temporária.
Método 2: Pelo Navegador do Celular e Assinatura em Lote (Até 5 Arquivos)
Se você precisa assinar vários documentos de uma só vez, a interface web acessada pelo navegador do celular (Chrome ou Safari) oferece o recurso de assinatura em lote. Segundo especificações destacadas pelo Tecnoblog, é possível selecionar e assinar até 5 arquivos simultaneamente em uma única sessão:
- Acesse o portal oficial
https://assinador.iti.brpelo navegador do smartphone e faça login com sua conta Prata ou Ouro. - Toque na área de seleção de arquivos e marque até 5 documentos (respeitando o teto de 100 MB por arquivo).
- Para cada arquivo listado, defina a página e a posição da marca visual da assinatura (ou opte por manter a assinatura apenas nos metadados ocultos do documento).
- Toque em "Assinar digitalmente", escolha o provedor GOV.BR e insira o código de segurança enviado por notificação push para o aplicativo Gov.br instalado no seu celular.
- Faça o download individual de cada PDF ou baixe o pacote compactado com todos os documentos assinados.

Como Assinar um Documento com Duas ou Mais Pessoas
Um dos erros operacionais mais comuns ocorre em contratos bilaterais — como locação de imóveis ou prestação de serviços — quando duas partes tentam assinar o mesmo documento. Muitos usuários enviam o PDF original em branco para ambas as pessoas assinarem em seus respectivos celulares. Isso gera dois arquivos separados, cada um contendo apenas uma assinatura isolada, o que dificulta a comprovação conjunta.
O assinador do Gov.br opera sob o padrão técnico internacional PAdES (PDF Advanced Electronic Signatures), no qual a assinatura criptográfica é embutida diretamente na estrutura interna do arquivo PDF. Conforme orienta o manual técnico da Receita Estadual do Rio Grande do Sul sobre múltiplas assinaturas, o procedimento exige um fluxo estritamente sequencial:
- Passo 1 (Primeiro Signatário): A primeira pessoa sobe o contrato em branco no Gov.br, posiciona seu carimbo visual (deixando espaço livre na página para os demais), conclui a assinatura e baixa o arquivo gerado (geralmente salvo com o sufixo
_assinado.pdf). - Passo 2 (Envio do Arquivo Assinado): O primeiro signatário envia esse exato arquivo já assinado para a segunda pessoa (por e-mail ou mensageiro).
- Passo 3 (Segundo Signatário): A segunda pessoa abre o seu próprio aplicativo Gov.br, faz o upload do PDF que já contém a primeira assinatura, posiciona sua rubrica ao lado da anterior e assina novamente.
Dessa forma, o segundo certificado PAdES encapsula o primeiro sem quebrar o resumo criptográfico (hash) original, resultando em um único arquivo PDF válido com todas as assinaturas integradas.
Validade Jurídica: A Assinatura do Gov.br Substitui o Cartório?
Sim, na ampla maioria das relações cotidianas e perante órgãos públicos, a assinatura gratuita do Gov.br tem plena validade jurídica e substitui o reconhecimento de firma presencial em cartório. Do ponto de vista normativo, a Lei nº 14.063/2020 e o Decreto nº 10.543/2020 (atualizado pelo Decreto nº 10.900/2021) dividem as assinaturas eletrônicas no Brasil em três categorias: Simples, Avançada e Qualificada.
Conforme detalha o Portal de Governo Digital, a assinatura gerada por contas Gov.br de níveis Prata e Ouro enquadra-se legalmente como Assinatura Eletrônica Avançada. Ela utiliza certificados digitais emitidos pela infraestrutura pública do ITI e garante dois pilares técnicos indiscutíveis: a autoria inequívoca do titular da conta e a integridade total do documento (qualquer alteração posterior invalida o arquivo).
O Marco do STJ em 2026 e os Limites Práticos
Em janeiro de 2026, a segurança jurídica da ferramenta ganhou um reforço decisivo nos tribunais superiores. No julgamento do REsp 2.243.445/SP, sob relatoria da Ministra Daniela Teixeira, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reformou decisão estadual e firmou o entendimento de que procurações judiciais assinadas via plataforma Gov.br possuem validade jurídica plena e dispensam reconhecimento de firma em cartório, salvo quando houver impugnação fundamentada com indícios concretos de fraude, conforme noticiado pelo Ministério Público do Estado do Paraná (MPPR).
Ainda assim, é fundamental separar o consenso da área das controvérsias e limites legais que diferenciam a assinatura Avançada (Gov.br, gratuita) da assinatura Qualificada (Certificado ICP-Brasil pago, como e-CPF e e-CNPJ):
- Consenso de plena aceitação: Atos perante o Poder Executivo Federal, Estadual e Municipal aderente (transferência de veículos via Carteira Digital de Trânsito, requerimentos no INSS, Receita Federal, Juntas Comerciais) e contratos privados em que há concordância entre as partes (contratos de aluguel, prestação de serviços, recibos, autorizações escolares).
- Limitações legais e controvérsias em aberto: Fora da administração pública, o Art. 4º, II da Lei 14.063/2020 estabelece que a assinatura avançada depende de ser admitida pelas partes como válida. Em atos solenes que exigem forma pública por lei (como escrituras imobiliárias de alto valor, certos registros de imóveis ou emissão de notas fiscais eletrônicas de pessoas jurídicas), continua sendo exigida a Assinatura Qualificada via certificado ICP-Brasil pago. Além disso, apesar da decisão do STJ em 2026, parte das varas ordinárias (estaduais, trabalhistas e federais) ainda apresenta resistência pontual em processos com suspeita de litigância predatória.

Como Verificar a Autenticidade no Portal VALIDAR e Erros que Anulam o PDF
Receber um documento com o selo visual escrito "Documento assinado digitalmente" não basta para confirmar que ele é verdadeiro, pois uma imagem visual poderia ser copiada. A autenticidade real reside na cadeia criptográfica oculta no arquivo PDF.
Para auditar qualquer documento assinado pelo Gov.br ou por certificados ICP-Brasil, o governo federal disponibiliza gratuitamente o portal oficial VALIDAR do ITI (https://validar.iti.gov.br, atualmente na versão 2.4, que substituiu em definitivo o antigo endereço assinaturadigital.iti.gov.br) e o aplicativo móvel VALIDAR. Ao submeter o arquivo PDF na plataforma, o sistema confere o hash criptográfico sem armazenar o conteúdo do documento e emite um Relatório de Conformidade atestando que a assinatura é íntegra e autêntica.
3 Erros que Destroem a Assinatura Eletrônica
Para garantir que o seu documento não seja reprovado no verificador oficial do ITI, evite três falhas operacionais críticas no celular:
- Imprimir o PDF para entregar em papel: O manual oficial do Gov.br alerta expressamente que o documento assinado digitalmente só possui validade jurídica na sua versão eletrônica original. Imprimir a folha no papel destrói a camada criptográfica e transforma o documento em uma cópia simples sem firma reconhecida.
- Usar a opção "Imprimir > Salvar como PDF": Muitos usuários abrem o PDF já assinado no celular e utilizam a função de impressão virtual do sistema para renomear o arquivo ou mesclar páginas. Essa ação "achata" o arquivo, apaga os metadados PAdES e invalida imediatamente a assinatura. O arquivo deve ser apenas baixado e compartilhado diretamente.
- Editar ou comprimir o PDF após assinar: Passar o arquivo assinado por compressores de PDF online ou aplicativos de edição altera os bytes do documento, mudando o seu código hash. Qualquer compressão ou ajuste de layout deve ser feito antes de assinar no Gov.br.
Cuidados de Segurança no Smartphone
Como a conta Gov.br Prata ou Ouro tem poder jurídico para firmar contratos e procurações em seu nome, a segurança física e lógica do smartphone é indispensável. Ao compartilhar contratos assinados pelo celular, uma medida preventiva essencial é colocar senha no WhatsApp e ativar a autenticação em duas etapas no próprio aplicativo Gov.br. Além disso, caso note emissões de certificados desconhecidos ou suspeite que seu celular foi clonado, revogue imediatamente o acesso a dispositivos vinculados nas configurações de segurança do portal governamental.

Perguntas Frequentes
Por que não consigo assinar documentos com minha conta Gov.br?
O bloqueio ocorre quando a conta está no nível Bronze. Por exigência legal de segurança, a assinatura eletrônica gratuita só é liberada para contas de níveis Prata ou Ouro. Você pode subir de nível gratuitamente dentro do próprio aplicativo Gov.br fazendo o reconhecimento facial da CNH/TSE ou validando seu cadastro via login de um banco credenciado.
Qual a diferença entre a assinatura do Gov.br e o certificado digital ICP-Brasil pago?
A assinatura gratuita do Gov.br (níveis Prata e Ouro) é classificada pela Lei nº 14.063/2020 como Assinatura Eletrônica Avançada, sendo aceita em órgãos públicos e em contratos privados entre partes que concordem com seu uso. Já o certificado ICP-Brasil pago (como o e-CPF e o e-CNPJ) gera uma Assinatura Eletrônica Qualificada, que possui presunção legal absoluta e é obrigatória para atos solenes específicos, emissão de notas fiscais de empresas e certos registros imobiliários.
O documento assinado pelo Gov.br tem validade se for impresso no papel?
Não. A validade jurídica da assinatura eletrônica reside no código criptográfico (padrão PAdES) embutido nos metadados do arquivo PDF digital. Quando o documento é impresso em papel, é impossível auditar sua cadeia criptográfica no portal VALIDAR do ITI, fazendo com que a folha impressa tenha valor apenas de cópia simples.
Fontes
- Portal Gov.br — Passo a passo da Assinatura Eletrônica
- Portal Gov.br (Governo Digital) — Sobre a Assinatura Eletrônica e Classificação Legal
- Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI) — Portal VALIDAR e Dúvidas Frequentes
- Correio Braziliense — GOV.BR supera 548 milhões de assinaturas digitais em 2026
- Capital Digital — Assinatura eletrônica avançada atinge 1,3 milhão num único dia no Gov.br
- Tecnoblog — Assinatura digital via Gov.br ultrapassa 548 milhões de usos
- Ministério Público do Estado do Paraná (MPPR) — STJ valida assinatura eletrônica do Gov.br em procurações judiciais (REsp 2.243.445/SP)
- Receita Estadual do Rio Grande do Sul — Passo a passo para múltiplas assinaturas PAdES
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